UMA REFLEXÃO SOBRE PLE (DIÁRIO DE BORDO) MPeL_Processos Pedagógicos em eLearning 2025

 


Há algo que me surpreendeu ao longo desta unidade curricular, até há pouco tempo, eu desconhecia por completo o conceito de PLE. E, no entanto, ao entrar em contato com a literatura deste mestrado, percebi que já o praticava de forma intuitiva, quase automática, no meu trabalho online do dia a dia. Ferramentas que utilizava para organizar ideias, partilhar conteúdos, conectar-me com outros profissionais: afinal, tudo isso era o meu ambiente pessoal de aprendizagem, ainda que eu nunca o tivesse nomeado assim. Esta descoberta foi, por si só, uma das aprendizagens mais significativas deste percurso.

A leitura dos artigos desta unidade ajudou-me a compreender que o que estava em jogo não era simplesmente o uso de ferramentas digitais, mas uma relação diferente com o próprio ato de aprender. O PLE não é uma plataforma nem uma aplicação  é uma postura. Mota (2009) e Wheeler (2009) foram dos primeiros a propô-lo como um espaço que pertence genuinamente ao aluno, construído a partir das suas escolhas, conexões e necessidades. Downes (2005) acrescenta uma dimensão fundamental: com a chegada da Web 2.0, o aluno deixou de ser apenas consumidor de conteúdo para se tornar produtor. Esta transformação cultural  a passagem de uma web de leitura para uma web de leitura e escrita alterou profundamente a relação entre quem aprende e o conhecimento que circula.

Esta dimensão em rede é, aliás, um dos traços mais transformadores dos ambientes pessoais de aprendizagem. Siemens (2005) e Downes (2005) propuseram o conectivismo precisamente para dar conta desta realidade, aprender, na era digital, é um ato de conexão entre pessoas, conteúdos, ferramentas e comunidades. O PLE não é, portanto, um sistema fechado sobre si mesmo  é uma rede em constante reconfiguração. Rodrigues e Miranda (2013), em contexto lusófono, confirmam que muitos estudantes utilizam ferramentas digitais de forma automática e sem intenção consciente, sem reconhecer nelas um ambiente de aprendizagem estruturado. Era exatamente o meu caso. Estudos mais recentes de Zhang et al. (2023) e Xu et al. (2024) vêm sublinhar que gerir este percurso de forma intencional exige uma competência metacognitiva a capacidade de refletir sobre o próprio modo de aprender  que não se desenvolve espontaneamente, mas precisa de ser cultivada.

É aqui que entra uma distinção que considero essencial e que a leitura desta unidade tornou muito clara para mim, antes de pensar em tecnologia, é preciso pensar em pedagogia. Cabero-Almenara e Palácios-Rodríguez (2021) alertam precisamente para o risco de confundir inovação tecnológica com inovação pedagógica  e esse risco é real, frequente e muitas vezes invisível. Uma ferramenta pode ser sofisticada e estar completamente ao serviço de uma lógica pedagógica superficial; da mesma forma, uma abordagem pedagogicamente sólida pode transformar qualquer recurso simples numa experiência de aprendizagem profunda. Pinto (2015), com a plataforma SAPO Campus, demonstra que o que faz a diferença não é o ambiente em si, mas a cultura pedagógica que se constrói em torno dele. Moreira (2016) vai no mesmo sentido ao sublinhar a responsabilidade dos docentes no desenvolvimento de uma literacia digital crítica  não apenas ensinar a usar ferramentas, mas ajudar os estudantes a tomarem decisões informadas sobre o seu próprio percurso de aprendizagem.

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